Gafieira Paulista: Tradição, identidade e o desafio do Jack and Jill

Alexandre Lopes detalha a evolução do projeto em São Paulo e o formato inovador do campeonato no salão do Zais

São Paulo, 16 setembro (BailakiNews)-  Nos dias 20 e 27 de setembro, o projeto Gafieira Paulista realiza no salão da Zairealiza no salão da Zais um concurso em formato Jack and Jill (pares e músicas sorteados). Em entrevista, o fundador  e organizador do coletivo Alexandre Lopes detalha a iniciativa que une tradição carioca e força paulista, valorizando a improvisação.

1. Alexandre, para começar, conte-nos sobre a trajetória do projeto Gafieira Paulista

A Gafieira Paulista nasceu de um desejo muito simples, mas que para mim tem um significado enorme: proporcionar às pessoas uma experiência diferente através do samba de gafieira. A ideia sempre foi criar muito mais do que um baile. Queríamos construir um projeto onde a pessoa pudesse chegar, aprender, se conectar com outras pessoas, dançar e, principalmente, sair dali mais feliz do que entrou.

Por isso, estruturamos o projeto em diferentes momentos. Temos o Grupo de Estudos, para quem realmente quer se aprofundar e evoluir no Samba de Gafieira; depois, a Aula Pré-Baile, que traz um momento mais descontraído, preparando as pessoas para aquilo que vem a seguir: o nosso grande baile, que quando começa, a proposta é fazer a pista acontecer. Buscamos sempre trazer DJs e bandas de qualidade, de São Paulo e do Rio de Janeiro, além de apresentações especiais de dança em algumas edições." 

Qual é a proposta do concurso na Zais (20 e 27/09) e o que os participantes e o público vão encontrar por lá?

Nos dias 20 e 27 de setembro, no tradicional salão do Zais onde acontecem as Domingueiras da Gafieira, teremos uma dinâmica diferente de um concurso convencional no formato Jack and Jill. Os participantes se inscrevem individualmente, sem escolher um parceiro fixo. Na hora da competição, os pares são formados por sorteio, e a música também traz o elemento surpresa. 

Também teremos mais de R$ 1.000,00 em prêmios, troféus, brindes exclusivos e certificado, mas, acima de tudo, queremos que os participantes tenham uma experiência marcante e que o público possa prestigiar e conhecer novos talentos do Samba de Gafieira. E escolhemos o Zais justamente porque é um lugar que tem uma relação muito forte com a dança de salão em São Paulo.  Nossa intenção é transformar essas duas noites em uma verdadeira celebração do Samba de Gafieira: competição, diversão, emoção, respeito e muita dança.

Como funciona na prática o formato Jack and Jill adotado no concurso e por que essa escolha em vez de casais fixos ou coreografias?

O Jack and Jill é uma modalidade de competição bastante interessante porque coloca o dançarino diante de uma situação real de dança: ele precisa saber dançar com diferentes parceiros e responder à música naquele momento. Na prática, os participantes fazem a inscrição individualmente, ou seja, não precisam ter um parceiro fixo. Durante a competição, os pares são definidos por sorteio. A música também é uma surpresa, então não existe uma coreografia previamente ensaiada para aquela apresentação.

Isso significa que, quando a música começa, o competidor precisa ouvir, interpretar e dançar. O condutor precisa conduzir de forma clara, e a conduzida precisa responder à condução, mas os dois também precisam construir uma conexão entre si. 

Em um campeonato tradicional de casais fixos, existe uma preparação conjunta, muitas vezes com uma coreografia ensaiada. No Jack and Jill, nós conseguimos observar algo que considero essencial no Samba de Gafieira: a capacidade de realmente dançar com o outro. 

Na sua visão, quais são as principais habilidades e virtudes que um dançarino de Gafieira precisa ter para se destacar nesse tipo de avaliação?

Eu acredito que o principal diferencial de um bom dançarino de Gafieira é entender que dançar não é apenas executar passos; é saber ouvir, se comunicar e construir uma dança com o outro. No Jack and Jill, algumas habilidades se tornam ainda mais importantes. A primeira é a musicalidade: saber ouvir a música, interpretar seus diferentes elementos, reconhecer mudanças de dinâmica, pausas, acentos e traduzir tudo isso para o corpo.  A segunda é a conexão com o parceiro. Como os pares são trocados, o dançarino precisa conseguir se adaptar rapidamente a diferentes formas de conduzir, acompanhar e se comunicar.

Também considero fundamental a condução clara e a resposta consciente. Quem conduz precisa propor os movimentos de maneira confortável e respeitosa, e quem acompanha precisa estar presente, interpretar os sinais e responder sem antecipar. Outra característica muito importante é a capacidade de improvisação. Como a música é surpresa e não existe uma coreografia ensaiada, o dançarino precisa tomar decisões naquele momento. É justamente aí que conseguimos perceber a maturidade de quem realmente domina a dança. 

Eu também valorizo muito a criatividade, mas uma criatividade que esteja a serviço da música e da parceria, e não simplesmente para chamar atenção. E, acima de tudo, existe uma virtude que considero indispensável: respeito. Respeito pelo parceiro, pela música, pelo espaço da pista e pela própria essência do Samba de Gafieira. 

Então, se eu tivesse que resumir o que procuramos em um competidor, diria: técnica, musicalidade, conexão, condução e resposta, improvisação, criatividade, presença de pista e respeito. 

Nós do BailakiNews vamos acompanhar o concurso e contaremos tudo aqui para vocês. Aguardem as novidades.


Angélica Pellicer

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