São Paulo, 15 outubro (BailakiNews).- Em uma trajetória que dialoga com a história do funk carioca e a nova geração do gênero. DJ K transforma o funk das favelas paulistanas em laboratório de música eletrônica

Sua assinatura sonora combina graves distorcidos, sintetizadores, ruídos e referências a trilhas de terror. Em vez de priorizar apenas a reprodução em plataformas digitais ou pistas convencionais, suas produções são pensadas para provocar impacto nos sistemas de som potentes dos bailes, onde a resposta do público é parte fundamental da experiência.
O funk produzido nas periferias de São Paulo ganhou no DJ K um dos nomes mais representativos de sua vertente experimental. Conhecido como El Mago, o DJ e produtor se tornou referência do mandelão e do funk bruxaria, estilos que transformam os bailes de rua em espaços de criação musical, identidade comunitária e afirmação cultural.
A identidade do funk bruxaria nasceu da experimentação no estúdio e da convivência com outros artistas.
Da quebrada para o circuito internacional
A trajetória de DJ K está ligada aos bailes de Heliópolis, na zona sul paulistana, e à construção de uma linguagem própria para o funk de periferia. Suas produções ganharam projeção para além dos fluxos e chegaram a públicos internacionais interessados nas conexões entre funk brasileiro e música eletrônica experimental.
Em entrevista à Billboard Brasil, em fevereiro de 2025, o produtor resumiu o desafio de transformar a percpção pública do gênero: “O funk precisa virar algo cultural. Literalmente, a música.” Ele também destacou que as viagens e apresentações fazem parte do esforço para combater o preconceito contra o ritmo.
DJ K não está sozinho nesse movimento. DJ Dayeh, Mu540, Bonekinha Iraquiana e outros artistas participam da expansão de sonoridades como o mandelão e a bruxaria, levando essas estéticas a novos espaços sem apagar sua relação com os bailes de comunidade.
De DJ Marlboro a Pedro Sampaio
A transformação protagonizada pelos paulistas faz parte de uma história mais ampla. No Rio de Janeiro, DJ Marlboro teve papel fundamental na consolidação fonográfica do funk carioca, especialmente com o álbum Funk Brasil, lançado em 1989. Sua trajetória ajudou a levar a produção das comunidades para outros públicos e abriu caminhos para gerações posteriores.
Décadas depois, Pedro Sampaio representa outra frente dessa expansão. O DJ, produtor e cantor combina funk com música pop e eletrônica, além de explorar colaborações internacionais, como “Perversa”, com o colombiano J Balvin e o produtor Take a Daytrip.
As trajetórias não são idênticas: enquanto Pedro Sampaio investe em cruzamentos com o mercado pop global, DJ K desenvolve uma sonoridade mais radical, vinculada à estética dos bailes de periferia. Ambos, porém, mostram como o funk brasileiro abriga diferentes caminhos de inovação.
O desafio para a cena paulista é ampliar o reconhecimento artístico e internacional sem perder o vínculo com as comunidades que alimentam sua criatividade. Para DJ K e os produtores que compartilham esse território musical, o baile não é apenas uma pista de dança: é também um espaço de experimentação, trabalho e expressão cultural.
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