Waldheim G. Montoya
São Paulo (BailakiNews).- O talento, a disciplina e a paixão pela dança levaram os brasileiros Thiago Mancha e Beatriz Feitosa a um dos maiores resultados da carreira: o vice-campeonato mundial de Bachata Cabaret conquistado no Mundial Oficial realizado no Chile, entre 27 de abril e 3 de maio de 2026. Representando o Brasil após a classificação obtida no Brasil Latin Open, a dupla enfrentou competidores de diversos países e confirmou seu nome entre os principais casais da modalidade no cenário internacional onde os ganhadores foram os também brasileiros Weberton e Carol.

A conquista do Mancha e Feitosa é resultado de uma parceria iniciada em 2022, quando ambos integravam a O.W Dance Company e decidiram unir experiência, conhecimento técnico e paixão pelos ritmos latinos para desenvolver um trabalho artístico voltado à performance, ao ensino e às competições. Desde então, o casal vem acumulando títulos nacionais, sul-americanos e internacionais, consolidando-se como referência da Bachata no Brasil.
Com 13 anos dedicados à dança, Thiago Mancha construiu uma carreira marcada por conquistas expressivas como tricampeão brasileiro de Bachata Casal, bicampeão sul-americano, campeão internacional de Salsa pela FIDES e campeão brasileiro de Solo Bachata Masculino no Dance Open Brasil 2025. Dançarino, coreógrafo, professor e empresário, é CEO da Cadmus Dance Company, onde atua na formação de novos talentos e no desenvolvimento de coreografias competitivas.
Ao longo da trajetória, também conquistou títulos como Professor Revelação do Oscarnejo 2016, Campeão Sul-Americano de Salsa em Grupo na Argentina, Campeão Brasileiro pelo Brasil Latin Open e Campeão do GP Sertanejo 2022. Além disso, é presença frequente em congressos e festivais nacionais como palestrante, professor e jurado.
Ao seu lado, Beatriz Feitosa reúne uma carreira igualmente sólida e multifacetada. Natural de Guarulhos (SP), iniciou sua trajetória na dança de salão em 2014 e hoje é reconhecida pela versatilidade em modalidades como Bachata, Salsa, Sertanejo Universitário, Zouk, Forró, Samba Rock e Danças Urbanas. Professora, coreógrafa, empresária e produtora cultural, também atua como CEO do congresso feminino Flawless Dance Day e da BFeitosa Produções de Eventos.
Entre suas principais conquistas estão os títulos nacionais no Dance Open Brasil, Brasil Latin Open e Conselho Nacional de Dança Desportiva (CNDD), além dos títulos sul-americanos conquistados no SBK Latino Chile. Em 2022, representou o Brasil no Campeonato Mundial de Salsa WDSF, em Cali, na Colômbia, chegando às semifinais. Sua experiência artística inclui ainda participações em produções audiovisuais como a série "Sintonia", da Netflix, e "As Five", do Globoplay.
Juntos, Thiago e Beatriz escolheram a Bachata e o Sertanejo Universitário como pilares da parceria por compartilharem uma forte identificação com os ritmos latinos e o desejo de alcançar reconhecimento internacional na modalidade. O projeto inclui apresentações, workshops, treinamentos para casais, mentorias e participação em importantes congressos de dança pelo Brasil.
Agora, após o vice-campeonato mundial conquistado no Chile, o casal vive um dos momentos mais importantes da carreira. Em entrevista ao BailakiNews, Thiago Mancha e Beatriz Feitosa falam sobre a trajetória que os levou ao pódio mundial, os desafios da preparação, a evolução da Bachata no Brasil e os próximos passos de uma parceria que vem projetando a dança brasileira para além das fronteiras nacionais.

O Brasil conquistou o pódio completo no campeonato mundial de bachata em Santiago do Chile. Que significado esse resultado tem para a dança de salão brasileira, especialmente em uma modalidade historicamente dominada por outros países latino-americanos?
"Acreditamos que esse resultado representa muito mais do que medalhas. É uma prova de que a dança de salão brasileira evoluiu de forma gigantesca nos últimos anos e que hoje o Brasil consegue competir de igual para igual com países que tradicionalmente dominam a bachata. Ver o pódio inteiro ocupado por brasileiros em um campeonato mundial mostra que o nosso país deixou de ser apenas uma promessa e passou a ser uma potência dentro da modalidade".
Durante muitos anos, os brasileiros apareciam com mais destaque apenas na salsa, enquanto na bachata o país ainda era visto como “coadjuvante”. O que mudou na formação, na técnica e na preparação dos bailarinos brasileiros para alcançar esse novo patamar?
"O que mudou foi principalmente a mentalidade. Os bailarinos brasileiros começaram a entender que competir internacionalmente exige muito mais do que talento. Hoje existe uma preparação muito mais completa: técnica, musicalidade, preparação física, estudo cultural, conexão de casal e até trabalho psicológico. Além disso, os profissionais brasileiros passaram a buscar mais intercâmbio com artistas internacionais e adaptar o que aprendem sem perder nossa identidade".
Como vocês avaliam o impacto dessa conquista para a visibilidade da bachata no Brasil e para o interesse de novos dançarinos em competir internacionalmente?
"O impacto é enorme. Quando o Brasil conquista um resultado histórico assim, automaticamente a bachata ganha mais visibilidade dentro do país. Isso inspira novos dançarinos, fortalece eventos, aumenta o interesse por aulas e mostra que é possível chegar ao cenário mundial mesmo vindo de um país onde a bachata ainda está em crescimento. Acho que muita gente vai começar a olhar para as competições internacionais como um objetivo real e possível".
Quais elementos da identidade brasileira vocês acreditam que ajudaram os casais do país a conquistar o top 3 do campeonato mundial? Existe hoje um “estilo brasileiro” de dançar bachata?
"Sem dúvida existe algo muito brasileiro na forma como dançamos. O brasileiro tem uma naturalidade muito forte com ritmo, interpretação e conexão corporal. Acho que conseguimos trazer mais entrega, criatividade e emoção para a dança. Hoje vejo um estilo brasileiro surgindo justamente nessa mistura entre técnica internacional e a nossa essência mais artística e expressiva. O Brasil dança com personalidade".
Depois desse resultado histórico em Santiago, quais são os próximos desafios para manter o Brasil entre as principais potências mundiais da bachata e não apenas como uma surpresa momentânea no cenário internacional?
"O maior desafio agora é manter a constância. Chegar ao topo é difícil, mas permanecer nele exige ainda mais trabalho. Precisamos continuar investindo em formação, eventos, intercâmbio e preparação de novos talentos. Também é importante fortalecer a cena nacional para que mais casais tenham estrutura para competir lá fora. Esse resultado não pode ser visto como algo isolado, mas como o começo de uma nova fase da bachata brasileira no cenário mundial".
Nossa matéria na mídia internacional:
https://chihuas.mx/la-bachata-gana-fuerza-en-brasil-y-proyecta-nuevos-talentos-al-escenario-mundial/
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Waldheim Montoya
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